Agulha de Vinil: Acoustic Ladyland – Um saxofone numa banda de rock


Uma banda de rock a tocar música punk com um saxofone? É possível com os Acoustic Ladyland. Este grupo londrino do underground fundado em 2001 traz-nos uma mistura de sons entre o jazz e o punk/rock, num estilo que ao longo dos seus 4 álbuns foi evoluindo, sem nunca fugir à sua essência inicial.

O primeiro álbum foi Camouflage, em 2004, inspirado em músicas do Jimi Hendrix, naquilo que foi um trabalho acústico, talvez dando origem ao nome da banda, mas ainda um embrião do que viria a ser o seu estilo musical. No entanto, receberam críticas muito positivas, o que os levou a considerar criar um álbum de originais. Assim, em 2005, Last Chance Disco traria então ao panorama musical um trabalho inovador, dando ênfase à bateria e claro, ao saxofone, que os daria o galardão de melhor banda de 2005, para o BBC Jazz Awards. Sempre a melhorar, em 2006, o álbum Skinny Grin, eclético e expressivo, com uma bateria magistralmente fulgurante e um saxofone que dividia o seu tempo de antena com a voz do seu domador. Por fim, em 2009, o último álbum e o meu preferido, Living With A Tiger, o único trabalho totalmente instrumental.

Quanto aos seus elementos, Tom Cawley esteve presente no piano nos 3 primeiros álbuns num trabalho de teclas sem ambições melódicas que consistia num piano que quase se assemelhava em algumas músicas a uma guitarra elétrica, tendo sido substituído em 2009 por Chris Sharkey, precisamente na guitarra elétrica. Também Tom Herbert (The Invisible), no baixo, deu lugar a Ruth Goller, para a criação do álbum Living With A Tiger. Os outros elementos que desde sempre pertenceram ao projeto são o esplêndido Sebastian Rochford na bateria e, sem desprestigiar os outros músicos, o elemento que faz toda a diferença nesta banda, Pete Wareham na voz, mas particularmente com o seu saxofone, por vezes barítono, noutras vezes tenor.

Todos os álbuns trazem-nos algo diferente mas saliento o último, Living With A Tiger, quando Pete Wareham deixou de usar a sua voz para passar a usar somente o saxofone. E que bela opção – agora a banda a tocar apenas temas instrumentais trazia todos os seus instrumentos à tona, o baterista Rochford confirmava todo o seu valor e com os dois músicos novos, uma guitarra elétrica pujante e um baixo manifestamente presente com um ritmo sincopado, o saxofone cada vez mais musculado e técnico de Wareham explodia numa agonia desgovernada, até chegar ao consenso da harmonia em uníssono que os 4 elementos conjugavam.

Esta banda, que por vezes não tem nada de jazz nem nada de punk, consegue abranger uma versatilidade de estilos, representando o verdadeiro conceito de banda porque cada músico tem o seu espaço e domínio do seu instrumento, sem se resignar a um estilo ou a rótulos predefinidos – apenas tocam a sua música e que bem que o fazem.