A electrónica com alma dos Ghost Hunt no Tremor


Há dias os Ghost Hunt diziam-nos que se alguém não ouve uma música baseado no simples facto de ser electrónica estará, no fundo, a desprezar algo que ainda não conhece. Que a música deve ser ouvida por aquilo que é, não pela forma como é produzida. Hoje vamos mais longe e afirmamos sem pudor que se há céptico na música electrónica – daqueles que dizem que electrónica não é música, e que a verdadeira música exige uma banda de instrumentos convencionais – que não tenha saído do Solar da Graça convencido com o fantástico espetáculo dos Ghost Hunt, então haverá algo de muito errado no mundo.

Sem computadores nem samples pré gravados, com muitas máquinas e um baixo se faz algo de transcendente. Pedro Oliveira, ligeiro e ágil, toma conta de um arsenal de sintetizadores, teclados e maquinaria cósmica, ligados por um sem fim de cabos negros. Pedro Chau, mais sossegado, arrasa nas linhas de baixo e, quando necessário, também dá uma mãozinha no arsenal de Oliveira. A electrónica ganha uma verdadeira alma, o público sente isso e deixa-se levar numa actuação inteligentemente planeada, em crescendo, a culminar numa verdadeira pista de dança de fazer inveja a qualquer Disc Jockey que se preze.

Em Ghost Hunt há dois mundos difíceis de conciliar. Há um mundo de electrónica em estúdio, fantástico e bem construído, que nos faz pegar num EP e ouvi-lo de ponta a ponta com a ajuda de uns bons auscultadores. Depois há os inevitáveis Ghost Hunt de palco, que partem tudo e levam todo o mundo a dançar como se não houvesse amanhã. Definitivamente, há aqui algo de muito especial.

Algo de especial foi mesmo o que os Ghost Hunt prometeram trazer ao Tremor e a verdade é que cumpriram. Mais que isso, não trouxeram só algo especial, trouxeram uma das mais marcantes e arrebatadoras actuações que já vimos em quatro anos de Tremor.

(paulo prata) ghost hunt 1 - cópia

© Paulo Prata | Tremor

/////

Foto de destaque: © Paulo Prata | Tremor

+ There are no comments

Add yours