A “Metamorfose” de GUII


No Meia de Rock já escrevemos sobre todo o tipo de eventos, bandas e álbuns, dos mais variados géneros musicais, desde a eletrónica ao metal. No entanto, em seis anos de vida não é propriamente segredo que pouco falámos sobre rap ou hip hop – talvez porque todos os nossos cronistas acabam por estar mais chegados a outros géneros musicais.

Ainda assim, quando vemos talento somos incapazes de olhar para o lado. GUII é o alter-ego de Guilherme Pacheco, um jovem que, em apenas dois anos de rimas, muitas delas ainda escondidas, conseguiu criar um projeto verdadeiramente interessante e sustentado. “Ardósia”, o seu single de estreia, é a prova que é possível, mesmo no difícil contexto da insularidade, apresentar um projeto de qualidade, de rima forte e produção cuidada. E talvez  este tipo de cuidado venha mesmo a ser o segredo para a evolução e reconhecimento do rap regional.

“Metamorfose” – talvez não houvesse melhor forma de descrevê-lo – é o EP de quatro faixas com que se apresenta. Para quem o conhece de outras andanças, é impensável a sua vida no submundo emergente do rap produzido nos Açores, mas a verdade é que GUII chegou com estrondo. “Metamorfose”, o segundo single de avanço, apresentado no final de outubro e acompanhado de um vídeo de encher o olho pela Cão de Fila Produções, é a história de vida de um rapaz que se transforma quando rima, um rapaz que encontrou na palavra uma saída. A lírica é, claramente, a arma, mas aqui há um conceito muito bem trabalhado, uma produção cuidada e um alter-ego com vida própria.

GUII ainda tem o mundo pela frente. O mundo difícil do rap regional, onde terá que suar muito, criar muito, mas, a julgar pelas duas faixas lançadas até ao momento, certamente encontrará o caminho até ao topo.

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Foto: © Direitos Reservados

 

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