Hoje é o dia de King John no Musicbox


Há dois anos António Alves era mais um comum mortal. O seu alter ego de lobo vadio com blues na veia preparava-se para uma estreia no Tremor, depois de uns testes pelo Arco 8 e mais uns palcos escondidos. King John conheceu o mundo e estava-lhe reservada uma ascensão meteórica na música Açoriana – no espaço de dois anos passou da estreia no pequeno palco da Refinaria para os grandes palcos do Monte Verde Festival e da Maré de Agosto.

Hoje os seus palcos são os da capital. King John trocou os Açores por Lisboa, já actuou no Sofar Sounds e hoje vai estar numa sala de renome – o Musicbox. Estivemos à conversa com o Rei para perceber como chegou aqui e o que tem na manga para o espetáculo de hoje.

Como é que tão repentinamente se consegue passar do anonimato aos palcos que grande parte das bandas açorianas sonhariam chegar?

A primeira palavra que me vem à cabeça é ‘timing’. Aquele primeiro pequeno (grande) concerto da Casa Coração levou-me para o Arco 8 e para o Tremor e a partir daí, e aproveitando a embalagem que isso me deu, fui galgando algum terreno, sempre com a ajuda preciosa das pessoas pelas quais me rodeei. Tinha, e tenho, também bem claros certos objetivos que quero alcançar. Isso deixa-me desperto para não adormecer ‘à sombra da bananeira’. Acho mesmo importante não estagnar na aprendizagem de tudo o que diz respeito a esta profissão e é isso que tenho tentado fazer todos os dias. Há também algum sacrifício pessoal envolvido. Não é nada fácil tu, de um momento para o outro, te colocares na posição de estares fora da tua terra e fora do teu círculo de conforto, mas isso faz-me estar mais perto do “circuito” musical e artístico.

Sentes que desde que estás em Lisboa abriram-se muitas portas? Achas que sair dos Açores é uma condição inevitável para as bandas açorianas levarem a sua música mais além?

Muitas não, mas abriram-se as portas certas, por agora. Já levei muitos “nãos” alguns “nins” e algumas ausências de resposta – que para ser sincero são bem piores que um “não”. Isso faz parte e eu sei disso muito bem e respeito todo esse processo. Estas coisas boas que têm acontecido são uma pequena parte de todo um trabalho maior que tem sido feito com a ajuda do António Pedro Lopes. Já agora, um muito obrigado público a ele. Sair dos Açores é essencial para promoveres fisicamente a tua música. Os “facebooks” e “youtubes” e “soundclouds” só te conseguem levar até um certo ponto tudo o resto tem de sair do pêlo. Isso é sem dúvida uma realidade que sabia que teria que acontecer mais cedo ou mais tarde. No meu caso aconteceu mais cedo porque as coisas evoluíram rapidamente.

O Musicbox abriu-te as suas portas. O que é que o público lisboeta pode esperar da grande noite de hoje?

Vai ser a primeira vez que vou tocar um concerto inteiro com os 4 elementos sempre em palco (bateria, baixo, teclas e guitarra) que é para onde sempre quis levar a minha música ao vivo. Vou tocar também três músicas completamente novas e muitas das músicas mais antigas com arranjos novos. De resto é o normal “Bluesada” e “Rock’n’roll” com um bocado de folk pelo meio.

Em 2015 dizias-nos que ainda não sabias bem onde pretendias chegar com a tua música. Agora, depois de deixares tudo pela música e atirares-te de cabeça para o sonho, achas que consegues definir o teu grande objectivo?

A curto e médio prazo é sempre mais incerto mas o meu grande objectivo, que sempre foi a longo prazo, continua a ser o mesmo: fazer da música um percurso de vida e um ganha-pão. Acredito mesmo que devemos fazer algo que nos preencha e que nos deixe realizados, sempre o fiz toda a minha vida e sempre encarei o meu dia-a-dia dessa forma. Não espero ser rico nem muito menos famoso, contento-me por ser feliz e realizado, de preferência a fazer “barulho”.

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