José Medeiros volta aos discos com “Aprendiz de Feiticeiro”


Longe vão os tempos da célebre “Canção da Terra”, mas José Medeiros continua a conseguir cantar as raízes açorianas com uma sensibilidade peculiar. “Partilha” – canção do mais recente álbum do autor açoriano, “Aprendiz de Feiticeiro” – é mais um retrato da vivência do povo dos Açores, neste caso, de um dos – talvez poucos – fenómenos transversais a todas as ilhas: as festas do Espírito Santo.

Essa capacidade de captar os traços particulares dos Açores e deixá-los plasmados em canções dá também origem ao tema “O Casamento das Feiticeiras”, uma explicação poética da meteorologia dos Açores. As célebres “quatro estações no mesmo dia” a que estamos tão habituados.

A América, que já foi “terra dos sonhos”, e último recurso para muitas gerações de açorianos, e que hoje volta a ser uma saída para muitos jovens, também faz parte do alinhamento do álbum. “América, América” foi retirada do espetáculo “As 7 Viagens de Jeremias Garajau”.

O profundo conhecimento das raízes e tradições dos Açores que a obra José Medeiros – nas suas várias expressões – evoca, não o impede de abraçar o mundo. Aliás, as referências presentes em temas como “Valsinha de Separar as Mágoas” ou “O Outro Lado do Espelho” surgem em catadupa e revelam uma vida recheada de viagens e cultura. Filmes, cidades, línguas, história e música. Há um pouco de tudo.

Com convicções ideológicas pública e frontalmente assumidas, José Medeiros usa a imagem de uma “Fanfarra Dissonante” para retratar a situação em que se encontra o nosso País, e dizer “já chega” às “troikas e baltroikas”.

“Aprendiz de Feiticeiro” não é um disco para servir de companhia, de música de fundo. É um álbum para ser ouvido com atenção. Para beber cada palavra.

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